Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Não posso escrever sobre política, não entendo nada. Nesse mar de lama em que chafurda o governo só posso falar sobre o desgosto de quem teve “esperança para vencer o medo“, e mais ainda de quem nunca teve medo, de quem acreditou numa ideologia e agora vê tudo ruir ridícula e vergonhosamente. Acho uma pena a novela da CPI ter se alongado tanto. Entre outras questões, perdeu os espectadores e com isso perdemos a grande chance de educar o povo. Dava gosto ver a população debatendo política, expressando opinião na praia de domingo e nas calçadas dos bares, de olho no que acontecia no Congresso.

Depois de 6 meses de silêncio, Lula foi ao Roda Viva. Entrevista gravada, não ao vivo. O mensalão não existe? Quer me convencer que foi uma alucinação coletiva, presidente? A morte do Celso Daniel não foi um crime político porque a polícia já provou isso. A polícia? Exemplo de instituição confiável. Duda Mendonça não estava na gravação. Nem José Dirceu. Não estavam Gushiken ou Palocci. Quem assistiu a Entreatos, o excelente documentário do João Salles sobre a campanha, sentiu falta dessas caras antes tão presentes. Augusto Nunes, um dos entrevistadores, destaca o nervosismo de Lula. Acha que lhe fazem falta os antigos companheiros execrados do Planalto. Delúbio Soares, por exemplo, era quem costumava segurar por baixo da mesa o cigarro que Lula tragava escondido durante as entrevistas.
Não faço parte de uma geração politizada. Para mim os partidos brasileiros não têm nada a ver com princípios e tendências, mas acho que o PT era o último em que os eleitores ainda acreditavam. Eles achavam mesmo que poderiam mudar o país. Agora parecem tão ingênuos.

Junto a isso, guardem um nome: Marlan Marinho, presidente do TRE. Ontem o órgão aceitou o recurso do adorável casal Garotinho contra a sentença que os decretou inelegíveis. A votação empatou e com isso a decisão ficou para o sensato desembargador, que votou a favor de Coronel Bolinha e Dona Rosângela. Agora eles terão direito de disputar as próximas eleições. Antes de declarar o voto, o senhor Marlan desabafou: “Eu estou perdido”. Acertou!

E no dia 15 a pátria comemora a proclamação da República. Aqui na terra estão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock'n'roll, uns dias chove, noutros dias bate sol...
Don't Panic
Andrew Largeman: Fuck, this hurts so much.
Sam: That's life. If nothing else, it's life. It's real, and sometimes it fuckin' hurts, but it's sort of all we have.
**********
Sam: What do you do? You laugh, you know? I'm not saying I don't cry. But in-between, I laugh, and I realize how silly it is to take anything too seriously.

Garden State
the difference between a failure and a fiasco

Na minha embasada opinião de crítica de cinema, acho que faltou ao Cameron Crowe decidir qual filme ele faria. Na minha boba sensação de espectadora, não consigo parar de pensar nele. Elizabethtown tem várias histórias que poderiam ser plots de um longa cada mas, como não se resolvem, deixam uma sensação de filme arrastado. Só acho que começa a ficar bom quando Claire deixa de ser uma doidinha mala e diz coisas mais pensantes. Mas tem erros vergonhosos: o que é o discurso final da Susan Sarandon? Parece pretensão de quem quis fazer uma grande obra.

A trilha vale o ingresso (e o download...). O diretor já declarou que antes mesmo de começar a escrever um roteiro, pensa nas canções que gostaria de usar na história, anotando-as num caderno que acaba sendo duas vezes maior do que o próprio roteiro. Percebe-se. Não achei o script então não vou conseguir reproduzir os diálogos, mas alguns são memoráveis. A conversa sobre pessoas substitutas (por favor, alguém transcreve!), sobre tristeza (sadness is easier because it is surrender), sobre ter tempo de conhecer os outros (I was still waiting for everything to start, and now it's over), sobre não ficarem juntos (o que engrandeceria o filme se tivesse acontecido). Tem vários bons diálogos mas eles não se juntam em um bom filme, parece que são idéias amontoadas. São vários quotes não desenvolvidos, outros só bons de despertar sorriso (I will miss your lips and everything attached to them). Being evil, muita coisa é explicada quando aparece o crédito do Tom Cruise como produtor.

É quase um bom filme, podia ser um Garden State. Nos próximos capítulos, pensamentos sobre Zach Braff. E quando Elizabethtown estiver em DVD, idéias mais aprofundadas.
Eu, robô II
Uma boa tacada contra a pirataria nos EUA. A NBC fechou um acordo com a Directv para vender por US$ 0,99 reprises de programas 1 hora depois da atração ter sido exibida. On demand, sem comerciais. A Comcast, operadora de TV a cabo, fez parceria semelhante com a CBS mas vai manter os comerciais. Acho maravilhoso fazer o download de séries e afins, mas vivo um dilema profissional e moral com isso. Já pensaram que o Ipod no Brasil é um estímulo à pirataria? Ninguém consegue comprar música no ITunes. É lindo ter CDs e DVDs pagando só pela mídia, mas não acho certo.
Outra novidade anunciada pela NBC garante que ninguém vai mais perder o inicio do programa - se ligar a TV e o programa já estiver em exibição basta começar de novo, sem ter programado o equipamento para gravar.
Como estou muito politicamente correta, revelo minha fonte para não ser acusada de plágio: Cláudio Ziberberg. E aproveitando que baixar músicas ainda é “liberado”, aproveito para falar sobre a trilha de Elizabethtown. Daqui a pouco, depois dos comerciais...



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