No zoológico

Um dos bons motivos para vir à Terra como ser humano é ter muito material para se divertir. Pessoas são estranhíssimas e reparar nas estranhezas é um passatempo a ser treinado. Na série comparações entre homens e mulheres, descobri mais uma vantagem masculina  - ponto para o time dos meninos! A capacidade de abstração. Vamos à sessão.

Prólogo: Homens são mais simples e a capacidade de abstração deriva desse fato.

Estudo de caso no 1:Mulher discute com namorado. Reação - acabou o dia. O mundo quase. Não sai mais de casa, nenhuma roupa cabe, só tem programa ruim pra fazer, a vida é injusta. Se sai, fica emburrada. Se fica com outro, chora. Enquanto ele não fica de bem, não tem mais nada que preste na galáxia.

Estudo de caso no 2: Homem discute com a namorada. Reação - Se irrita, toma um banho e... tchan tchan tchan tchan: acabou o problema! Sai com os amigos, se diverte, nada atrapalha. Remoer problema? Como assim? Qualé moleque, deixa de ser viado!

Conclusão - Deus, Zeus, Alá, diretor do programa ou quem quer que comande: na próxima encarnação, eu quero ser homem.

 

Por que o escorpião matou o jacaré?
 

 My God. Can't you see how condescending you are when you say that? You have this preconceived notion that nobody can't possibly attain the same high ethical standards as you, so you exonerate them. I can not think of anything more arrogant than that. You forgive others with excuses that you would never in the world permit for yourself. Does every human being need to be accountable for their action? Of course they do. But you don't even give them that chance. And that is extremely arrogant”.  - Pai para Grace, Dogville

 

O escorpião precisava de uma carona para atravessar o rio e pediu ao jacaré, garantindo que não iria matá-lo depois.

 
O segundo filme da trilogia "USA - Land of Opportunities" é pior do que o primeiro, o que não significa que ele é ruim. Dogville é maravilhoso, Wasington  não deve ser tão bom - a expectativa é uma armadilha.

Em Manderlay Willem Dafoe faz o papel do pai de Grace e, me perdoem a crítica, mas ele não é James Caan. Quem já foi Sonny Corleone não pode ser superado como gangster! Nas palavras do próprio Dafoe, um personagem politicamente incorreto que é a voz da sabedoria. Bryce Dallas Howard não é nem a sombra da Nicole Kidman, e isso é muito grave. Vendo o novo filme de Lars von Trier, grita na tela como os atores do primeiro eram fantásticos. Com todo o respeito ao Danny Glover.

Assistindo a Dogville pensei várias vezes em desistir. Fiquei até o fim porque quando acabasse ou eu iria querer matar o diretor ou aquele filme seria inesquecível. Há quem ache o final moralmente ambíguo de Manderlay mais surpreendente, mas depois daquele primeiro massacre poucas baixezas humanas me deixam perplexa. Quando criança, Lars von Trier apedrejava janelas da embaixada americana. Hoje ele continua mirando nos EUA, mas acho que acerta no ser humano em geral. Nos dois filmes as pessoas são manipuladoras, egoístas, ninguém é inocente. E quem é? Li um comentário sobre Dogvile muito bom: “saí do cinema atônito, chocado, confuso, triste e um pouco irritado com o diretor por ele ter sido tão cruel ao retratar o comportamento humano através de pessoas tão vulneráveis”.

Grace é descrita como idealista, e idealistas são pretenciosos. Mudar o mundo? Existe um acordo entre dominadores e dominados, as relações estabelecidas se criaram em cima de fundamentos que não são facilmente reconstruíveis. No filme o pai lembra à filha de quando ela abriu a gaiola para salvar o canário e ele morreu congelado na janela. Agora Grace é uma nova pessoa, aprendeu que o poder deve ser usado (o que me lembra a frase do Vinícius - tenho tido muita delicadeza inútil), mas falta a ela ser mais sufocante. Falta mostrar indignação ou conformismo.

Dogs can be taught many useful things, but not if we forgive them every time they obey their own nature”. Falta isso. Não vou falar mais para não entregar o filme, mas falta um final onde os espectadores engulam em seco e sintam aquele peso sobre os ombros. Saí pior de Crash.

 

Resposta do escorpião: “matei porque esse é meu instinto”.

Off I go

Ok friends, time to leave. Na verdade, quase. Vou à noite, mas é meu último acesso em terras brasilis. Tô indo nessa, muitas compras pra fazer e restaurantes pra visitar. O frio está intenso mas a cabeça agrace, e muito, o time off. Não deixem de ir na inauguração da Árvore Bradesco Seguros e Previdência (esse é o nome da Árvore e não Árvore da Lagoa, ok?), no dia 26/11. Acessem o site www.arvorenatalbradescoseguros.com.br. Me deu muito trabalho pra fazer e tem cartões lindos.... entrem no clima de Natal enquanto o sol queima cada vez mais forte.

Beijos em todas!

Quero ver você não chorar
Esse ano ela está com 82 metros e ontem foi colocada a estrela no topo. Faltam 10 dias para a inauguração.
Know all of the things that make you who you are
Odeio poesia, mas sou fascinada por letras de música. Músicas marcam momentos das nossas vidas até que montamos nossa própria trilha sonora. Eu tive a certeza de estar vivendo um desses momentos únicos quando ouvi Maroon 5 num show em Praga. Pôr do sol, 10 graus de primavera, neve derretendo e a praça principal enfeitada para o dia de São Patrício. Todas as pessoas cantavam baixinho, e eu sempre volto para aquele lugar quando ouço She Will be Loved de novo. Um bloco de Carnaval lava a alma, e quando caiu um temporal na hora em que o Cordão do Bola Preta tocava Explode Coração, não ficou um inteiro. Passei a adolescência na California de tanto que ouvi All Eyes on Me. Orishas é a cara de Barcelona. Nando Reis já embalou tanta coisa que eu não pude ouvir Quem vai Dizer Tchau por muito tempo. O Chico Buarque é lindo, e fica ainda mais bonito por conseguir despertar alegria em Vai Passar e lágrimas em Pois É.
Foi assim que me encantei por Los Hermanos. Vivia tão triste que ouvir Mais uma Canção era o conforto de saber que eu não estava sozinha, alguém já tinha sobrevivido àquela dor. Ou não, e a genialidade do artista está em conseguir detectar o que vai no coração das pessoas e transformar aquilo em música.
Tenho ouvido muito Zélia Duncan, Black Eyed Peas e Vanessa da Matta. Dependendo do momento, ouço Even Flow ou Maggie May. E nessa de andar na praia para ficar muito tempo só ouvindo música, descobri Doesn’t Remind Me, do Audioslave. Fala de coisas que o autor gosta por não trazer lembranças de nada: The things that I've loved/ the things that I've lost/ The things I've held sacred/ that I've dropped/ I won't lie no more you can bet/ I don't want to learn what I'll need to forget. Essa é a armadilha das músicas. Vão sempre remind me of something, não tem como escapar.



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