Pensamentos natalinos esquisitos
Eu estava escrevendo o texto para um programa de final de ano, a intenção era fazer o Homer Simpson que assiste chorar. Sempre é! Bate o sino pequenino e corremos para emocionar o consumidor fazendo com que ele se envolva com o produto e nunca cancele a assinatura, não mude de canal e continue fiel à marca. Para me inspirar comecei a lembrar de várias músicas natalinas e jingles célebres. Sempre que a criancinha cantava sozinha o “pra você” me dava um nó na garganta. Lembra? “Que o Natal existe e ninguém é triste e no mundo há sempre amor...” E ainda era um jingle meio desafiador porque aquela história de “quero ver você não chorar, não olhar pra trás nem se arrepender do que faz” dava uma agonia. Quero ver você fazer isso! E a história do “pobrezinho, nasceu em Belém”? Nenhuma noite podia ser feliz com aquela melodia triste, eu morria de pena de Jesus mesmo sem entender a letra direito. “Eis na lapa Jesus nosso bem”? Já naquela época falavam do Odisséia, Fundição, Circo Voador e cia?

Relaxa, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem vier. Aliás, a ousadia da Globo na vinheta desse ano exigiu quatro meses de pesquisas no Cedoc mas a tecnologia superou a emoção e eu nem me abalei em pensar que o futuro já começou. Mais um ano vai, outro ano vem, paz muita saúde e amor também. E muita granaaaaa, trabalho e famaaaaa... E noutro dia andando pelo shopping fui tomada por uma entidade do mal: Já é Natal na Leader Magazine... e o reflexo disso é que meu 13o nem passou pela conta, já acabou. Saudades do tempo em que eu botava meu sapatinho na janela do quintal e achava que todo mundo era filho de Papai Noel. “Bem assim felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de papel. Já faz tempo que pedi mas meu Papai Noel não vem. Com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem”. Credo!

Alguém pode compor uma música de Natal animada? Já é incrível que nenhuma criança fique traumatizada ao descobrir a verdade sobre Papai Noel. Então seus pais mentem para você, numa conspiração que envolve a mídia e todos aqueles que te conhecem, um dia você descobre a verdade e fica tudo bem? Nenhum castigo aos traidores, nenhuma seqüela psicológica, nenhuma consequência do tipo: então não existe nenhum motivo para sermos bonzinhos? Está liberado! Quero mais é escrever um texto bem piegas que sensibilize os clientes, os faça gastar cada vez mais e assim meu bônus aumente. Uahahahauahahaha. A impunidade ainda vai acabar com o mundo.
And so it is
Just like you said it should be / We'll both forget the breeze / Most of the time
And so it is / The colder water / The blower's daughter / The pupil in denial
Did I say that I loathe you? / Did I say that I want to leave it all behind?
I can't take my mind of you
'Til I find somebody new

Closer é quase mais triste do que Blower’s Daughter. Um soco no estômago, um nó na garganta, um peso nos ombros porque os relacionamentos são tão doentes... e no final venceu quem soube manipular os desequilíbrios alheios. E nem era para ser um jogo.

Como se não bastasse, um complemento: I wish I was special.
What the hell am I doing here? / I don’t belong here.
I don’t care if it hurts / I want to have control / I want a perfect body
I want a perfect soul / I want you to notice / When I’m not around

Creep, também do Damien Rice.





[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , Mulher

 
Visitante número: