Aux armes, citoyens!

Em novembro de 2005 jovens desempregados, muitos imigrantes, tacaram fogo em mais de sete mil carros ao redor da França. Pesquisas mostraram que 70% das pessoas estavam a favor do estado de emergência decretado pelo ministro Sarkozy. O problema ali era o desemprego, mais do que xenofobia, e a solução encontrada pelo primeiro-ministro Villepin foi criar o Contrato de Primeiro Emprego. 20% dos que têm entre 18 e 25 anos estão desempregados. Villepin apressou a aprovação da medida para provar que é tão duro quanto Sarkozy, já de olho nas eleições do ano que vem. O CPE é ironicamente chamado de “Como Perder uma Eleição”.

 

A medida permite que as empresas contratem jovens de até 26 anos e, durante dois anos, possam demiti-los sem pagar indenização, o que onerava muito a contratação. Os estudantes prevêem que na véspera de se completarem os tais dois anos a empresa vai demiti-los, recontratá-los três meses depois e assim vai, até eles completarem 26 anos, quando serão trocados por outros mais novos.

 

Os sindicatos se uniram aos universitários e receberam apoio das escolas, pais, diretores de universidades. Uma greve geral foi convocada e a eles juntaram-se bandidos, desgarrados da periferia, militantes de extrema-direita e grupos anarquistas. O resultado está na capa dos jornais, dói ver no que deu o protesto.

 

Quando o jornalista Mario Sergio Conti completou um ano em Paris escreveu o artigo “Duas ou três coisas que sei sobre ela”.  Mais modesta, minha declaração de amor se resume a meia ou uma coisa que eu sei sobre Paris:

Que é melhor do que o resto do mundo porque lá, quando as pessoas não conseguem fazer o que você pede, ficam desoleé!
Que toda mulher se sente uma dama sendo chamada de Madamme.
Que ao acordar em Paris deve-se procurar saber o que está em greve naquele dia, sempre tem alguma coisa.
Que tem mais câmeras fotográficas nas ruas do que gente por metro quadrado.
Que o Sena com a Notre Dame ao lado é o lugar mais bonito.
Que o metrô deveria ser menos eficiente para sermos obrigados a andar mais de ônibus e ver a cidade.
Que nenhuma tristeza resiste a um passeio pelo Champs Elyseés.
Que alguns museus têm desconto para os desempregados. Pode-se não ter trabalho, mas não ter cultura, jamais.
Que o Louvre é respeitável, mas o Rodin é encantador e é impossível sair de lá sem suspirar.
Que a Tour Eiffel é cheia de turistas, um programa que corre o risco de ser de índio, mas que é sempre emocionante se ver de cara com ela.

Que os franceses são tão indignados que tem quem seja contra Paris sediar as Olimpíadas porque o esporte não precisa de patrocinadores mercenários pequeno-burgueses.

Que mesmo para quem conta centavos é o lugar com a melhor comida do mundo. Por três euros come-se em qualquer balcão uma baguette avec jambon e fromage, leia-se ementhal, e é magnifique.

Que um dia eu vou ter dinheiro para ver a vida passar comendo na vitrine! Mas precisa sobrar alguma coisa no quebra-quebra...

 

 

 

 

A última que morre... e a primeira que mata



[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , Mulher

 
Visitante número: