Upside down
Uma das dores de cabeça do mercado de TV hoje é o índice de comerciais não assistidos por causa dos DVRs, que permitem avançar a programação. A última pesquisa confundiu ainda mais ao mostrar que, nas casas onde nao existem DVRs, esse percentual é mais alto porque as pessoas saem da frente da TV no intervalo. Ninguém sabe o futuro dos filmes publicitários e os anunciantes estão incomodados com o excesso de informação a que os clientes estão expostos. Isso tem um lado bom, que é incentivar a originalidade e a qualidade dos anúncios. Quando a idéia é boa ou bem feita, desperta a atenção.
Da série “comerciais que foram criados para tocar meu coração e eu me deixei levar”, destaco a campanha da Coca Cola Light. O mote é “A Vida é você quem faz”. É aquele dos “aplausos”: “Um forte aplauso para quem larga Direito no 5o período para cursar veterinária, para quem desce do onibus e vai atrás dela. E para aquele que vai embora do trabalho antes do chefe, sem culpa. Vamos aplaudir aquela que, em vez de ficar esperando ele ligar, liga e convida pra sair. Um aplauso para aquele que decidiu largar tudo… e abrir um bar na praia. Agora o maior dos aplausos... a todos os que experimentam o novo!
Ele me faz sair aplaudindo também!
Aplausos para quem mudou de idéia, para aqueles que vão para outra cidade em busca de mais dinheiro, a quem nada importou e foi viajar sozinho. Um aplauso para quem assumiu as celulites e desfilou de biquini na praia, para quem traçou uma reta e tirou ela para dançar, para quem trocou o spinning pelo pilates. Muitos aplausos para quem achou que valia a pena recomeçar depois dos 60 anos, para a que não alisou o cabelo nem colocou silicone, para quem acorda mais cedo só para dar um mergulho, para quem foi trabalhar de All Star porque estava com muita ressaca para usar salto alto. Um grande aplauso para quem não disse que fez porque estava bêbado, para quem parou de escrever para si mesma e criou um blog, para quem fechou o guarda-chuva e saiu cantando, para quem decidiu experimentar outras praias e para quem fez amigos e saiu por aí. Vamos aplaudir quem jogou tudo fora e começou de novo, quem trocou a bunda gostosa por uma conversa interessante, quem quebrou o porquinho e foi à praia em Cannes, quem desmarca a pelada porque a namorada está com febre. Para quem trocou o comodismo de uma relação por butterflies no estômago, para quem aparece de surpresa no domingo chuvoso, para quem sorri e não só retribui timidamente e para quem assume que sonha em casar, aplausos! Mais aplausos para quem discorda quando tem um ponto, para quem admite gostar de pastelão, para quem confessa que ama, para quem abre a casa pra festa e diz que depois resolve. Milhares de aplausos para quem não sabe jogar futebol mas comanda a torcida, para quem leva caldo e gargalha, para quem canta alto sozinho. Vamos todos aplaudir os que decidiram só ir onde se sentem bem, os que não fingem mais gostar de quem não gostam, as que apostaram no gente boa ao invés do sedutor barato. Mais aplausos para quem aceitou as desculpas e partiu pra outra, pras que entraram na farmácia para comprar camisinha, aos que trocaram o curso de finanças pelo de samba de gafieira. Um forte aplauso aos que chutam o balde, enfiam o pé na jaca e tomam Coca Light no café da manhã, e mais aplausos para quem leu o post até aqui, saiu cantando Jack Johnson e se sentiu inspirado para hoje ter um dia melhor.
Mas se você vier
Tem que ser una fiesta linda com sol e cerveja e a alegria dessa onda que me beija. Tem que ter alligators to catch em Geribá; sauna, presuntão e show da Shamú na piscina com vista pro mar. Tem que ter música nova para cantar; tem que ter Ney Matogrosso filosofando poesia que dizia a minha avó. Tem que ter limão, melancia e purê de hamburger. Tem que ter rock and roll. Tem que ter dinheiro pra pagar ou cadeira pra deixar. Tem que ter alguma chance de dar merda. Tem que agora estar sorrindo de saudade da alegria que esquenta a cidade.
Tem que ter muita gente de todo lugar, gente nova e gente velha, gente do México, da Argentina ou de onde inventar. Tem que ter gente com espírito de sacanear e coração aberto para agregar. Gente que bebe cachaça na tampinha, tequila com limão e sal e gente que partiu para o five o’clock tea. Gente que parou de zoar e gente que está começando agora; gente que bate, que briga, que beija e que dança until the floor. Tem que ter gente para brincar e gente que está esperando passar; gente que toma conta de tudo e gente que não sabe nem de si mesmo; gente que sabe o que é errar e gente tentando acertar; tem que ter gente que sabe perdoar.
Tem que ter o brilho do luar em sintonia com o mar, gente que se fala no olhar e caminha no mesmo lugar. Não tem que ter pressa nem medo de errar, gente com tanto querer que faz até a terra tremer. Tem que ter sol no meu amanhecer. Tem que ter um você. Mesmo que sejam mais de vinte.