Quiet Desperation

Schopenhauer, superficialmente o mais pessimista dos filósofos, dizia que o homem é um ser movido por aspirações e paixões. A vontade é o princípio ativo, fundamento de todo movimento.  Sua contra-indicação: ser a causa de todo sofrimento. Aspirações sem fim provocam a dor de jamais completar-se. O prazer só existe momentaneamente, a cada vez que saciamos um pequeno desejo. A suprema felicidade para ele só poderia ser conseguida com a anulação da vontade. Onde não queres nada, nada falta e onde queres prazer sou o que dói.

 

Humanidade desajustada, sempre insatisfeita querendo mais e satisfaz um desejo para logo criar outro e outro e sofre, se angustia, sufoca, e outro, e tenta, precisa, nó e não consegue e se nunca quisesse nada seria sempre feliz e os antidepressivos são os remédios mais vendidos nas farmácias de manipulação. E não querer nada não é um sintoma de depressão?

 

Nem tudo estaria perdido, o filósofo via paliativos para a dor humana. A primeira via é a arte. Música? Quarto escuro, vazio, Pink Floyd. Ticking away the moments that make up a dull day, waiting for someone or something to show you the way. sentado no chão vai meditar errado as idéias de Buda, acreditar que libertar-se do desejo vai lhe fazer perceber que já tem tudo o que precisa.  Vai amar tudo que tem e entupir o corpo de ansiolíticos para a mente não perceber que falta lutar para ter tudo que ama. Vai continuar nos paliativos. A arte. Caetano.  Eu queria encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor, mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou, eu te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és.  Ops... Schopenhauer também dizia que o destino embaralha as cartas e nós jogamos. Go play.

Passa a querer muito e sempre. Querer e não conseguir, tentar e quebrar a cara, aprender a andar e se estabacar, ter raiva, se decepcionar, mandar o mundo à merda. E saber tão saborosa a conquista, vibrar na vitória, pular de alegria, estourar champagne no pódio, abraçar desconhecido no caminho.

 

No pain, no gain. E aí, pra quê?

Eu protesto, tu protestas, ele protesta
Engajada na campanha do Kibe Loco (Eu apóio a greve de fome até o fim: desaparece Garotinho!), acho que o Sr. Bolinha poderia aproveitar a atenção que está recebendo para lutar por outras causas mais plausíveis, tais como:

Direito de resposta universal a todos que nos ofenderam, magoaram, irritaram ou simplesmente ignoraram;
A volta de bons filmes às salas de cinema;
Exorcismo desse Tom Cruise que está à solta e consequente volta do galã de Cocktail e Top Gun;
Continuação dos feriados semanais conforme ocorrido no último mês;
Suspensão do trabalho nos dias de jogo do Brasil na Copa;
Garantia de que o Brasil vai jogar até a final (se ganhar, nós agradecemos);
Liberdade para as mulheres só comentarem aspectos físicos dos jogadores mais privilegiados nesse quesito;
Distribuição gratuita de saquê nos restaurantes japoneses, a exemplo do que o McDonalds faz com a água;
Determinação de um número maior de horas livres por dia;
Maior quantidade de liquidações por ano;
Direito de chegar atrasado no trabalho em caso de ressaca, sono ou boa companhia de manhã;
Test drive de pessoas com garantia de ressarcimento na devolução em caso de propaganda enganosa;
Colo de mãe em caso de urgência e definição de urgência a cargo de cada filho;
Certeza de mesa na varanda do Braseiro em qualquer dia e horário;
Opção de companhia nos domingos à noite e sábados chuvosos;
Amigos disponíveis 24 horas mesmo que on line;
Um determinado número de passagens aéreas por ano, a ser definido por cada viajante;
Facilidades na conquista da casa própria mas com eventual estadia no quarto nunca desmontado na casa dos pais;
Motorista para dirigir depois das festas, noites em boites ou prolongados períodos em bares;
Desconto no cinema para espectadores fiéis;
Personal chef gratuito para os esfomeados incapazes de pilotar um fogão.

E, caso o Sr. Bolinha consiga a fiscalização internacional nas eleições, exijo o mesmo para assuntos muito mais importantes, tais como:
Fiscalização internacional nas juras de amor feitas sob efeito do álcool; em qualquer comentário feito sobre mim na minha ausência; em mensagens enviadas entre meia-noite e sete da manhã; em comportamentos duvidosos, também classificados como simpatia é quase amor e, para a lista não privilegiar somente a vida pessoal, fiscalização internacional em reuniões para negociação de salários, benefícios e análise de performance profissional.
Todo qualquer coisa tem seu fim

Toda pessoa tem um amor, quem sabe eu encontro. Todo amor tem uma saudade, quem sabe eu supero.Toda saudade tem uma esperança, quem sabe eu consigo. Toda esperança tem um passado, quem sabe eu sorrio.  

Todo fim tem um começo, quem sabe eu enfrento. Todo medo tem uma empolgação, quem sabe eu bato forte.Todo coração tem uma razão, quem sabe eu entendo. Toda compreensão tem uma paz, quem sabe eu amadureço.

Todo texto tem uma inspiração, quem sabe eu revelo. Toda palavra tem um sentido, quem sabe eu liberto. Todo conselho tem uma forma, quem sabe essa é boa. Toda idéia tem uma fonte, quem sabe de onde vem. Toda folha em branco é um desafio, quem dera fosse fácil. Toda prosa tem uma poesia, quem sabe eu aproveito.
Todo artista tem um recado, quem sabe eu repasso. Toda história tem um clichê, quem sabe eu perdôo. Toda mensagem tem uma razão de ser, quem sabe eu digo logo. Todo filme tem uma trilha, quem sabe eu escuto. Todo ensinamento vem de uma pessoa, quem sabe eu chego lá.


*Goodbye, no use leading with our chins

This is where our story ends, never lovers, ever friends
Goodbye, let our hearts call it a day but before you walk away I sincerely want to say
I wish you bluebirds in the spring to give your heart a song to sing
And then a kiss, but more than this I wish you love
I wish you health but more than wealth I wish you love
My breaking heart and I agree that you and I could never be
So with my best, my very best, I set you free

 

*I wish you love, da trilha de Prime (Terapia do Amor) com Rachael Yamagata . Ou Sinatra, Natalie Cole, Ella Fitzgerald...




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