Garotinho nos cafundós da África joga futebol brincando de ser Ronaldo. Pelé, Amazônia, Carnaval e Ronaldo. Homem feito no centro de Berlim canta o hino do país, frio na barriga porque vai jogar contra Ronaldo. Gigante pela própria natureza. São 14 títulos, mas isso não basta. Quatro Copas mas isso não é tudo. Conquistas com braço forte, não foram suficientes. Por três vezes foi eleito o melhor do mundo mas o mundo muda, e o mundo cobra. Cobra humildade, exige resultado, espera por mais do filho deste solo. Mais sorrisos, Ronaldo, mais leveza de espírito, mais vontade. Era o presidente, Ronaldo. Cachaceiro e cafajeste mas Presidente, e o mundo cobra hipocrisia. Mais calma, Ronaldo. Nessa folga não vá beber em boite não, vá olhar seu álbum de fotos. Vá se ver, Ronaldo. Procura aquele menino que decidiu responder no estádio à desconfiança de um planeta que viveu a final de 98. Levanta a cabeça com mais doçura, garoto. Você vale mais de 100 milhões mas as pessoas não confiam mais em você. Você, gordo, lento, cheio de bolhas nos pés que não tinha dinheiro para chegar no treino do Flamengo há uns quinze anos. Entre outros mil, és tu, Ronaldo. Que foi campeão do mundo com dezessete. Que vai ser o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Faz mais três, Ronaldo. Cala a boca dessa gente lembrando que suas chuteiras milionárias já fizeram a rede balançar mais de 300 vezes. O fenômeno, Ronaldo, é que é preciso provar sempre. Não dá para errar. Se lembra? O contrato é vitalício. Melhor jogador. Maior atacante. E um dia, Ronaldo, você sai de campo vaiado e vê um menino te substituir feliz apoiado pela torcida. A vida é curta, Ronaldo, ainda mais curta do que a memória de um povo de chuteiras. Abre os braços e sai planando em campo de novo. Sai bonito. Ressurge. Joga. You gotta play hard.
“Rémi Turquier. Um menininho francês: magricelo, branquinho, de óculos, sempre despenteado, tímido, inteligente. Vocês passaram três anos na mesma classe. Na Petite Section vocês tinham direito a uma sesta depois do almoço. Ficavam em beliches vizinhos. Começaram a se contar histórias. Depois, filmes imaginários. Depois, inventaram máquinas fantásticas. Ficaram amigos. Os melhores amigos. Namorados, amoureux. Não namorados de brincadeirinha, por pressão do grupo. Vocês eram muito pequenos, tinham três anos, para se dedicarem a essas bobagens. (...)Quando você via algo interessante ou ouvia uma história legal, a sua primeira reação era exclamar: “Preciso trazer o Rémi aqui!”. (...)Vocês se amavam, ma chérie. Por isso, tiveram os seus percalços. (...)
Como separar Liná e Rémi, duas crianças apaixonadas de cinco anos que estiveram juntas, cotidianamente, mais da metade de suas vidas? Vocês enfrentaram a separação sozinhos. Resolveram o problema da melhor maneira. Você nos contou que só estavam conversando sobre amor. Que você lhe escreveria logo que chegasse ao Brasil e ele escreveria de volta. “É preciso que a gente não esqueça que somos namorados”, explicou. (...) Vimos Rémi pela última vez nas Arènes de Lutèces. Você saiu chorando do parque. Estava sentida. Passaram dez minutos e você voltou a sorrir. Estava novamente animada quando comeu um hamburguer na rue des Écoles. Eu, não. Eu estava com o coração engruvinhado”.
Mario Sérgio Conti, pai da Lina.
Joel: I don't see anything I don't like about you.
Clementine: But you will! You will, and I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me.
Joel: Okay.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Feliz dia da Hallmark Cards para todos que despertam em alguém a vontade de ser uma pessoa melhor como Jack Nicholson e Helen Hunt em Melhor é Impossível. Para Cachorra e Michê porque na vida precisamos de um cúmplice; Dama e o Vagabundo porque são fofos e isso basta; Holly Golightly e Paul 'Fred' Varjak, que jogou na cara da Bonequinha de Luxo o quão covarde ela era por não assumir que ok, life's a fact, people do fall in love; para Felicity e Ben (ou Felicity e Noel?); Lucy Van Pelt, que é a mais egoísta, mandona e mau-humorada da turma do Snoopy mas merece ser correspondida pelo Schroeder porque os brutos também amam; para Scarlett O'Hara, que nunca mais passará fome novamente nem ficará sem Rhett Butler; Shrek e Fiona; Carrie e Mr Big porque Sex and the City terminou inverossímel mas imaginar alguém ir até Paris atrás de quem ama sempre vale a pena; Ana Scott, just a girl standing in front of Will Taker em Notting Hill asking him to love her; Sinhozinho Malta e Viúva Porcina; Dr. Burke e Cristina, em algum episódio de Grey’s Anatomy vão explicar como ele aguenta ela; Jess, por ter investido no improvável de reencontrar Celine e missed that plane em Antes do Anoitecer; Rodin e Camille Claudel porque nem os especialistas em arte são capazes de identificar se o autor de algumas obras é o mestre ou a discípula; Heitor e Andrômaca, o verdadeiro herói da guerra de Tróia além de ser bom guerreiro e inteligente era apaixonado pela mulher; Jin e Sun, exemplo de vida a dois em Lost, e Kate e Sawyer que se merecem; Roberto de Carvalho e Rita Lee, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é; Príncipe Encantado e Cinderela, a princesa da Disney com o vestido mais bonito; Lark e Troy nos intervalos da Xuxa; Abby, mulher do Presidente Bartlet, vivendo em The West Wing uma grande mulher não por trás mas ao lado de um grande homem; para Lina e Rémi, é fácil dançar como se ninguém estivesse olhando, trabalhar como se não precisasse do dinheiro mas muito difícil amar como se nunca tivéssemos tido o coração partido.
Para quem ainda não encontrou seu sapato velho, que ele seja um Van Gogh.
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