Tentativa... e erro
Branco. E um tracinho na vertical piscando como uma contagem regressiva. Word desafia, fosse excel seria exato mas aqui não tem fórmula. Já são mais de cem letras que não dizem nada, dá uma raiva. São palavras na ponta da língua, que são meus dedos, mas que não formam frases, idéias que ainda não estão prontas para nascer. Precisam encontrar a forma certa de fluir como uma dança e fazer feliz quem lê, ou incomodar. Dá um orgulho quando desperta emoção, qualquer coisa que se sinta, felicidade ler cada comentário e ter a tranquilidade de saber que nenhuma angústia é assim tão original. Texto tem que ser tradução de um sentimento, deve ter algum que explique o que vai n’alma senão é como um ator sozinho no palco quando a cortina abre e... estão todos olhando. Não era a hora e tem um holofote na cara. Improvisa. O que se quer é dizer para seguir sempre. Vai! É normal, pessoa é muito igual, tenta, bobo.
Às vezes é só um amontoado de coisas, me perdoem. No meio dessa falta de espaço, de silêncio e de computador deve sobreviver alguma idéia que sirva.
Desce o pano.
Daqui a pouco eu volto.

"Remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tensões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto".

Caio Fernando Abreu, obrigada pela dica. E obrigada Julieta.
Recomeço

Não te traí nem tenho outro. Tenho esperança. Você não fez nada nem deixou de fazer. Não gosto mais de você, não gosto de mim quando estou com você, acho que posso ser mais feliz. Você também. Não quero mais tempo, eu tenho certeza. Não me espera. Quero que você nunca seja de ninguém para saciar meu egoísmo. Não. Desejo que você encontre alguém, que você seja feliz para que eu não me culpe por ter magoado alguém que me ama. Isso dói. Se eu te vir e te olhar demoradamente não será por arrependimento, será pela tristeza de qualquer fim. Vou ficar abalada mas é só sentimento de posse, não é amor. Logo virá o alívio de saber que não insisto mais no que não há. Não quero tentar, prefiro ficar sozinha. Não vou insistir. Não são reticências, é um ponto final. Quero estar livre para encontrar quem me tire o fôlego novamente sem poréns. Existem problemas que poderíamos resolver mas não vou me esforçar. Os dois poderiam ter agido diferente algumas vezes mas eu não te amaria mais do que agora. O pouco que existe não é o suficiente. Raiva te ajudaria a esquecer mas não fiz nada de errado, não te amar é algo que não escolhi e do qual não posso ser acusada. Fui carinhosa nos últimos dias, não te odeio. Existe carinho. Não preciso esperar que não nos suportemos. Poderia ter falado antes e economizado seu tempo. Não o meu, que valeu, mas o quanto gosto me faz não querer mais. Se facilitar, se apega a isso. Um dia passa e nós vamos ficar bem, sempre ficamos depois de cada morte. Talvez eu nunca encontre alguém que faça o que você fez por mim e ainda assim ame essa pessoa mais do que te amo agora. Não queira gratidão mas tesão, menos abraço, amasso. Talvez um dia eu esteja no seu lugar, vou arriscar. Vai valer a pena pelo coração que bateu. Às vezes posso escorregar e te procurar mas não se iluda, será saudade da convivência e não vontade de voltar. Não ceda. Pessoas vão lamentar nosso fim, não serão recados. O mundo não te mandará sinais sobre mim, esse é o sinal. É claro. Nunca aceite menos. Eu quero mais.


 


Sai ouvindo Beth Carvalho. A vida foi em frente você simplesmente não viu que ficou pra trás.


A saudade lhe entregava o aval da imensa dor.




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