Essa é mais uma da série “idéias sensacionais de uma mente perturbada”, e também serve com carta aberta aos cientistas, professores pardais e ao cara que inventa as armas do Batman. As pessoas deveriam ter rabos. Tarados de plantão, contenham seus risinhos sacanas pois não se trata aqui de linguagem chula de borracharia, mas de fazer o ser humano desenvolver aquela parte fundamental do cachorro, por exemplo. Tomemos o canino como modelo: se está feliz, abana o rabo, com medo, coloca-o entre as pernas, tudo normal, nada demais, a cauda descansa. E assim nunca há dúvidas sobre os sentimentos do bichinho, seu estado de espírito. Meias palavras e atitudes dissimuladas não existem. Tudo absolutamente mais fácil, nunca se ouviu na história dessa amizade um dono dizer que seu animal está esquisito há dias e não quer dizer o que é. “Será que fiz alguma coisa errada”, ele se preocuparia se não houvesse o rabo.
O ideal, meus caros inventólogos, seria o ser humano poder até mesmo dar aquela abaixada nas patas da frente e empinada de bunda quando quer brincar, como fazem os filhotes, mas entendo se essa idéia for rejeitada a fim de evitar atitudes muito constrangedoras nos homens. Talvez os senhores, por preguiça ou má vontade de tocar o projeto, aleguem que os olhos já são os espelhos da alma e é fácil identificar o sentimento pelo olhar de alguém. Falso! O Tablado desperdiça inúmeros talentos diariamente deixando longe dos palcos os grandes atores que se saem muito bem na arte de enganar. Ora fingem que ficaram muito felizes por ter que acompanhar o cônjuge numa festa, ora juram que estão cansados por conta do trabalho e é paranóia achar que a paixão acabou, tem até as fernanda-montenegros que parecem muito felizes quando na verdade gostariam de jogar tudo para o alto. Tivessem rabo, resolveriam mais rápido seus problemas e evitariam preocupações e cismas inverossímeis alheias.
Se não for pedir muito, visto que os senhores terão bastante trabalho pela frente, gostaria de mandar um recado para os cães. Podem transmitir naquele apito que só eles escutam: companheiros, jamais se deixem civilizar. Nunca acreditem que, para o bem de todos e felicidade geral da nação, às vezes é melhor desabafar com o travesseiro. Mantenham seus pulinhos de gazela sempre que estiverem imensamente felizes por verem seus donos voltarem para casa, e continuem fazendo cara de arrasado ao vê-los sair. Em breve, desenvolvidas as idéias acima descritas, estaremos nós humanos também muito mais leves livres de nossas minhocas na cabeça.
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