Os moços do meu tempo
Em cartaz em www.tribuneiros.com
Lampadinha e Chapéu Pensador

Essa é mais uma da série “idéias sensacionais de uma mente perturbada”, e também serve com carta aberta aos cientistas, professores pardais e ao cara que inventa as armas do Batman. As pessoas deveriam ter rabos. Tarados de plantão, contenham seus risinhos sacanas pois não se trata aqui de linguagem chula de borracharia, mas de fazer o ser humano desenvolver aquela parte fundamental do cachorro, por exemplo. Tomemos o canino como modelo: se está feliz, abana o rabo, com medo, coloca-o entre as pernas, tudo normal, nada demais, a cauda descansa. E assim nunca há dúvidas sobre os sentimentos do bichinho, seu estado de espírito. Meias palavras e atitudes dissimuladas não existem. Tudo absolutamente mais fácil, nunca se ouviu na história dessa amizade um dono dizer que seu animal está esquisito há dias e não quer dizer o que é. “Será que fiz alguma coisa errada”, ele se preocuparia se não houvesse o rabo.

 

O ideal, meus caros inventólogos, seria o ser humano poder até mesmo dar aquela abaixada nas patas da frente e empinada de bunda quando quer brincar, como fazem os filhotes, mas entendo se essa idéia for rejeitada a fim de evitar atitudes muito constrangedoras nos homens. Talvez os senhores, por preguiça ou má vontade de tocar o projeto, aleguem que os olhos já são os espelhos da alma e é fácil identificar o sentimento pelo olhar de alguém. Falso! O Tablado desperdiça inúmeros talentos diariamente deixando longe dos palcos os grandes atores que se saem muito bem na arte de enganar. Ora fingem que ficaram muito felizes por ter que acompanhar o cônjuge numa festa, ora juram que estão cansados por conta do trabalho e é paranóia achar que a paixão acabou, tem até as fernanda-montenegros que parecem muito felizes quando na verdade gostariam de jogar tudo para o alto. Tivessem rabo, resolveriam mais rápido seus problemas e evitariam preocupações e cismas inverossímeis alheias.

 

Se não for pedir muito, visto que os senhores terão bastante trabalho pela frente, gostaria de mandar um recado para os cães. Podem transmitir naquele apito que só eles escutam: companheiros, jamais se deixem civilizar. Nunca acreditem que, para o bem de todos e felicidade geral da nação, às vezes é melhor desabafar com o travesseiro. Mantenham seus pulinhos de gazela sempre que estiverem imensamente felizes por verem seus donos voltarem para casa, e continuem fazendo cara de arrasado ao vê-los sair. Em breve, desenvolvidas as idéias acima descritas, estaremos nós humanos também muito mais leves livres de nossas minhocas na cabeça.

O tamanho da paz
Eu bem que avisei para você não me tratar assim. Agora fica aí olhando a minha felicidade, pensando se tem saudade ou se é só orgulho ferido. Vai começar a achar que poderia ter sido feliz comigo, que tem coisas que só eu entendo e talvez essas pequenas coisas façam de mim alguém muito especial, vai querer voltar atrás e resgatar o que eu dizia que nunca acabaria e você tanto desprezou. Quem diria, nem fiz por vingança, foi a maré.
O que eu aprendi é que para tudo há uma solução, pode ser em um atalho que se acha outro caminho, talvez seja preciso deixar metade do que se guardou com tanto cuidado, mas com vontade a coisa vai. Doe seus livros que nunca serão relidos.
Antes as costas doíam, nos ombros surgiam pedras e quase me transformei em um dromedário por stress. Minhas corcovas em nada alteraram o rumo da prosa. Agora tem essa pilha para ler, Garcia Marquez teria sido muito mais útil do que Philip Kotler. Os comprimidos de Frontal vão para o mesmo lugar das canetas Bic perdidas e das meias abandonadas pelos pares? Meu fígado dói quase mais do que doía minha cabeça sempre que eu acordava, atrasada e cansada, o que indica que não.
Ignorei tudo o que o Outlook não avisava, meu coração só capturava o que a antena captava e hoje vejo aqui todas essas músicas que fui baixando e nunca ouvi. Se continuar direi a todos, com voz de locutor, “wear sunscreen”. Melhor, pela última vez, me apressar.
A mala está pronta, passagem comprada, contas pagas com antecedência. O que quero dizer é que viramos cínicos mas não por escolha, é uma necessidade, quase darwinismo. Mas nós acreditamos e sempre tentamos de novo. Algum mapa mostra o lugar perfeito onde podemos levar nossos discos e livros e nada mais. Ou alguém a mais.



[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , Mulher

 
Visitante número: