Domingo a tarde, Museu de Artes Latino-americanas. Um grupo de criancas olha um quadro da Frida Kahlo.
- Ela pintou a si mesma com uma macaco e um papagaio. Como se chama isso?
- Auto-retrato – respondem.
- E como ela fez para se pintar?
- Magica – diz a menina
- Deve ter usado um espelho - diz o menino
- Mas tem um bigode, como ‘e uma senhora? – pergunta o outro
- O bigode ‘e porque deve ter tomado leite com chocolate – responde a menina.
Caixa do banco para trocar dolares por pesos. Ao ver o passaporte, o homem pergunta se sou do Rio e se derrete:
- Amo o Rio, as pessoas sao muito relaxadas, originais, andam de sandalias e bermudas.
- Sim, porque faz muito calor – respondo, querendo elogiar Buenos Aires – Mas aqui sao todos muito bem-vestidos.
- Porque se preocupam demais com a aparencia, sao uns boludos. Bob Marley, conhece? “Emancipate yourself from mental slavery”, viva Ipanema!
Museu de Belas Artes, visita guiada gratuita pelas obras de Rodin. A guia explica que o artista fazia um molde e depois reproduzia as obras varias vezes. O mesmo Pensador que esta no museu de Paris enfeita uma praca em Buenos Aires, e ali na nossa frente esta uma escultura de O Beijo muito maior do que a parisiense. Mal posso esconder a decepcao da informacao quando uma senhora protesta:
- Isso ‘e um absurdo, a obra vale pela originalidade, se sao meras copias perdem o sentido.
- O que a senhora sente ao ver essa obra? – provoca a guia, me fazendo lembrar a felicidade que foi ver a obra ali e que posso passar horas admirando o casal retratado sem me importar se sao copias ou se protagonizam uma traicao. – O valor esta na genialidade da ideia do artista. - defende.
Vale o que desperta, concluo.
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